Crítica - The Drama
Entre o Trailer e a Surpresa
Fui assistir The Drama sem saber exatamente o que esperar, tendo visto apenas um trailer que não entrega muito da história. Entrei na sala às cegas, mas saí feliz ao perceber que o filme soube desenvolver bem sua premissa e entregar aquilo que se propõe, com uma mensagem clara. Para mim, o roteiro é o ponto forte da obra. Embora não esteja isento de falhas, ele desenvolve com competência tudo que se propõe a fazer. Os personagens e suas motivações são bem trabalhados, assim como os diálogos.
Quando a Mise em Scène funciona
Não há nada expositivo, tudo o que é dito ou não dito é mostrado em cena, um mérito da direção de Kristoffer Borgli, que guia o espectador a uma narrativa diferente. Em muitos momentos, a mise em scène fala por si só ou auxilia o texto, justamente como deve ser. Um exemplo dessa composição que serve ao texto acontece após o personagem de Robert Pattinson dizer que está tudo bem entre eles, mas o filme corta para um plano do casal na cama, em lados opostos e afastados. Simples? Sim, mas funcional.
Pattinson e Zendaya: Atuações que Servem ao Drama
Por falar no Robert Pattinson e na Zendaya, eles estão fantásticos e entregam atuações afiadas, o que já era esperado de dois dos melhores atores da atualidade. Embora não seja o melhor papel de suas carreiras, eles entregam exatamente o que o texto pede. Já os personagens secundários são desenvolvidos de forma mais rasa, o que teoricamente seria um problema de roteiro, mas na prática funciona bem o suficiente para o desenrolar da trama, no entanto, achei algumas motivações questionáveis.
A Proximidade do 35mm e o Espetáculo Sonoro
Tecnicamente, é um filme muito sólido. A fotografia é boa, passando boa parte do tempo em ambientes fechados com um bom uso de composição e espaço negativo. O filme parece se beneficiar de lentes como a de 35mm, que ajudam a manter uma proximidade desconfortável. O som é um espetáculo, sendo muito bem trabalhado para guiar os cortes e a narrativa, acompanhado por uma trilha sonora que constrói muito bem a tensão e a comédia ao longo do filme.
O Ritmo da Tensão e o Engasgo do Clímax
A tensão é um dos grandes trunfos, com uma ruptura de tom excelente e surpreendente. Mas é aqui que surgem alguns tropeços, especialmente no ritmo da edição. A montagem é fundamental para ditar o ritmo do filme e, no geral, funciona, mas senti um engasgo no final. O clímax pareceu acelerado demais, seja por falta de cobertura na decupagem ou escolha do diretor, mas acredito que dois minutos extras teriam feito uma boa diferença.
Fora isso, o desfecho é satisfatório e fecha todas as pontas. No fim, The Drama é um filme que triunfa ao mostrar que a técnica deve estar a serviço da trama para contar uma boa e importante história, com uma mensagem que pode ser interpretada de diferentes maneiras.
Avaliação: ★★★★☆
Hugo Baroni • Crítica Técnica
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