Crítica - Life is Strange Reunion
Life is Strange Reunion é, definitivamente, um jogo superior ao controverso Double Exposure, mas quando comparado aos dois primeiros títulos da franquia, Life is Strange e Life is Strange Before the Storm, a queda de qualidade é nítida. A comparação é inevitável, porque, se você desconsiderar Life is Strange 2 e True Colors, eles formam uma quadrilogia. Mas muito além de diferenças narrativas, a franquia enfrentou uma troca de estúdios, com a Deck Nine assumindo após Life is Strange 2 (antes era a Don't Nod), o que explica muito dos problemas.
Onde antes encontrávamos um drama visceral sobre juventude, abordando temas como luto, abuso e suicídio, hoje encontramos uma obra que carece de profundidade. Antes, os personagens tinham personalidade e profundidade, mesmo os secundários. Agora, essa profundidade foi trocada por uma trama simples e acessível, com uma história flat e “adolescente”, apesar dos personagens serem adultos. Eles cresceram e se tornaram mais rasos? Perderam a complexidade?
Direção e Estética: Quando o Visual Falha em Impactar
Infelizmente, os problemas vão além. A direção do jogo é outro problema, enquanto os dois primeiros jogos tinham uma direção de arte muito bonita e impactante, com cenários deslumbrantes e uma ótima composição, aqui temos cenários simples e cenas pouco ou nada impactantes, salvo raros momentos. Naturalmente, esse problema se estende para a direção das cenas (cutscenes), que são fracas e visualmente pobres.
Personagens Secundários e o "Efeito Marvel"
Essa mudança de tom é percebida no foco da narrativa, com um excesso de atenção para os poderes, que contribui para a falta de profundidade dos personagens. Os secundários, mesmo os mais importantes, são rasamente explorados, como Moses e Safi. A motivação da Safi mal faz sentido, dada a maneira como é colocada na trama. A do Vinh chega a ser tão ruim e mal trabalhada que me perguntei se realmente era aquilo. Em certos momentos, a sensação é de estar diante de um filme da Marvel, que abusa do fanservice para esconder falhas narrativas.
Embora o roteiro supere o de Double Exposure (o que não é difícil), ele sequer se aproxima do nível dos primeiros jogos da franquia. A história é amarrada, sim, com furos pequenos e pontuais, mas falta profundidade, peso. É uma história simples que, quando empolga, é escorada na nostalgia e na emoção. Do que adianta tantos personagens secundários para dar volume à investigação, se todos são pouco interessantes? Era melhor diminuir o número e dar mais tempo de tela aos presentes, do que optar por volume em detrimento de desenvolvimento. Ainda que as protagonistas, Max e Chloe, fossem bem desenvolvidas, mas mesmo isso deixa a desejar. O que vimos aqui que não vimos (melhor) em Life is Strange e Before the Storm? Não achei a relação delas mal trabalhada, entretanto. Aqui, é uma questão do que poderia ter sido, e podia ter sido muito melhor. Emociona, mas fica na zona de conforto.
Trilha, Ritmo e Problemas Técnicos
Até mesmo a trilha sonora, um dos pilares da série, embora excelente, não atinge o patamar dos jogos anteriores. O jogo também sofre com o ritmo. Em alguns momentos, me peguei cansado em trechos onde a narrativa e a gameplay tropeçam no ritmo, em fases arrastadas que poderiam ser melhor trabalhadas ou até mesmo cortadas. Faltou dinamismo.
No campo técnico, aqui temos problemas sérios. No PC, o jogo repete os mesmos erros de Double Exposure, com a ausência de DLSS e FSR, as principais tecnologias de upscaling do mercado. Isso é inadmissível, considerando que o jogo utiliza a problemática Unreal Engine 5, que tem suporte fácil a essas tecnologias. Então, por que a ausência? Estamos falando de uma franquia da gigante Square Enix, e não de uma empresa indie (apesar de ser desenvolvido pela Deck Nine).
Nos consoles, temos dois modos clássicos: desempenho e qualidade. O modo desempenho é borrado e repleto de cintilação, se tornando um incômodo em um jogo narrativo, com os 30fps sendo a melhor opção. Mas mesmo o modo qualidade não está isento de falhas, com problemas no upscaling, apesar de ser bem mais estável. Outro problema é a ausência de uma versão para o PS5 Pro, plataforma onde eu joguei. Reunion se beneficiaria muito da estabilidade do novo PSSR2, além do aumento de resolução e os 60fps.
Conclusão: Entre a Nostalgia e o Potencial
No geral, o jogo cumpre o seu papel básico de entregar uma conclusão bonita e emocionante para a jornada de Max e Chloe. O final é emocionante e ataca forte na nostalgia, mas é impossível ignorar a sensação de que a obra poderia ser muito superior. Infelizmente, fica claro que a Deck Nine ainda demonstra problemas em entregar um roteiro que honre o potencial da franquia.
VEREDITO
3 de 5 Estrelas
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