Crítica - Lee Cronin's The Mummy
À Sombra de Evil Dead Rise
The Mummy, de Lee Cronin, cumpre o que propõe por muito pouco. Para quem esperava uma contagem de corpos semelhante à Evil Dead Rise, o sentimento que fica é morno. Embora o filme flerte com essa brutalidade e seja esteticamente semelhante ao Rise, ele não entrega o mesmo impacto, o que não é necessariamente um problema, afinal, são franquias e filmes diferentes. O problema é que The Mummy fica muito aquém do esperado mesmo para sua proposta. A direção de Cronin é característica e extremamente semelhante à de Rise, inclusive na escolha de planos e na ambientação em espaços fechados e claustrofóbicos. É uma direção que cumpre bem o seu papel, mas falha em inovar.
O Abuso do Split Diopter
O filme tropeça em escolhas técnicas questionáveis, como o uso excessivo e desnecessário da técnica split diopter. O diretor já havia explorado esse recurso em Rise, mas aqui ele é utilizado 19 vezes (se não contei errado), o que acaba incomodando por não existir uma justificativa narrativa para isso. É um ponto em que o diretor de fotografia também divide a responsabilidade, porque a técnica acaba chamando mais atenção do que a cena como um todo.
Um Roteiro que Falha em Engatar a Marcha
O roteiro é onde o filme encontra seus maiores problemas. Ele promete uma virada o tempo todo, mas o terror real só se manifesta nos 20 minutos finais. Há uma repetição chata: o demônio ameaça constantemente, mas nunca ataca de fato, e quando parece que a ação finalmente vai engatar, o filme corta minutos à frente. Esse problema não pode ser creditado à montagem, mas sim a uma falha de escrita que impede o filme de engatar a marcha. O longa parece tentar se vender como um “terror elevado” focado no drama familiar, mas carece da profundidade e do subtexto necessários para tal. A Múmia acaba sendo apenas um obstáculo físico, e o caos familiar é entregue através de diálogos expositivos.
Personagens e a Inércia Narrativa
Além disso, a trama investigativa é lenta e pouco agrega, já que o personagem de Jack Reynor descobre informações, mas não toma nenhuma iniciativa, servindo apenas para travar o ritmo da história. Metade das cenas da detetive também poderiam ter sido cortadas para dar espaço a um clímax mais desenvolvido. Apesar dos problemas de roteiro, o elenco é excelente. A atriz que interpreta a Múmia está ótima no papel, apesar da aparência genérica. Jack Reynor entrega exatamente o que o texto pede, embora seu personagem sofra com uma escrita que o torna passivo e burro, principalmente no terceiro ato. É frustrante ver os personagens diante de eventos sobrenaturais claros, como levitação, e ainda assim manterem ceticismo e inércia, sem sequer debaterem o que viram.
A Saturação e o Espetáculo Sonoro
Tecnicamente, a fotografia se destaca pelo color grading saturado e vibrante, uma raridade em meio aos filmes desaturados de Hollywood. A direção de arte também brilha, especialmente na forma como a casa reflete a progressão da história, mas o visual da Múmia poderia ter sido melhor. A montagem faz o seu papel com competência e é guiada por um som espetacular, que é o verdadeiro ponto forte do filme. O design de som e a trilha sonora, especialmente a música do confronto final, são espetaculares.
Conclusão: Ambição vs. Execução
O filme apela bastante para o gore para se sustentar, justamente por pecar na construção do terror como um todo, mantendo-se tempo demais em um ciclo de ameaças que não dão em nada. No fim, The Mummy é um filme muito ambicioso, mas que peca na execução. Lee Cronin está em um caminho para algo mais sério do que a galhofa de Evil Dead, mas acaba entregando uma obra inferior ao seu antecessor. É um filme que parece se considerar melhor do que realmente é, resultando em uma experiência que, apesar do potencial, falha em entregar uma narrativa coesa com bons personagens.
Avaliação: ★★★☆☆
Hugo Baroni • Crítica Técnica
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